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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Melhores de 2015 da Cerveja Brasileira

O cervejólogo Ronaldo Morado foi consultado, juntamente com outros entusiastas do assunto, a escolher "Os Melhores de 2015 da Cerveja Brasileira". A pesquisa completa, que é feita desde 2009, pode ser vista neste link. Veja abaixo qual foi a avaliação de Ronaldo:



Nome: Ronaldo Morado
Cidade/Estado: Brasília/Distrito Federal
Bio: Engenheiro Eletrônico e de Telecomunicações; MBA em Engenharia Econômica; autor do livro Larousse da Cerveja; ex-presidente & CEO da Cervejaria Colorado; consultor de Gestão e M&A
Atuação na cerveja: Blog & mídias cervejeiras/Escritor(a) cervejeiro(a)/Jornalista
Site/blog: ronaldomorado.blogspot.com.br
Facebook: -
Twitter: twitter.com/ronaldomorado
Instagram: -
Untappd: -

 ***

1) Melhor Ale produzida no Brasil
Wäls Trippel.

Onde você a provou?
Cervejaria/brewpub

1a) Melhor IPA produzida no Brasil (American, English, Session, Imperial, Black, Belgian etc)
Mistura Clássica Session IPA.

1b) Melhor Stout produzida no Brasil (Sweet, Dry, Export, Imperial etc)
Dogma Orfeu Negro Russian Imperial Stout.

2) Melhor Lager produzida no Brasil
Abadessa Export.

Onde você a provou?
Cervejaria/brewpub.

2a) Melhor Bock/Doppelbock produzida no Brasil
Barco Viúva Negra.

3) Melhor Sour ou Wild Ale produzida no Brasil (cervejas ácidas)
Falke Vivre pour Vivre.

4) Melhor Barrel ou Wood Aged Beer produzida no Brasil (cervejas maturadas em madeira)
Bodebrown Double Perigosa Wood Aged Series.

5) Melhor Ale estrangeira à venda no Brasil
Fuller’s Vintage Ale.

6) Melhor Lager estrangeira à venda no Brasil
Pilsner Urquell.

7) Melhor Sour ou Wild Ale estrangeira à venda no Brasil (cervejas ácidas)
Cantillon Gueuze 100% Lambic Bio.

8) Melhor Barrel ou Wood Aged Beer estrangeira à venda no Brasil (cervejas maturadas em madeira)
Harviestoun Ola Dubh Special Reserve.

9) Melhor cerveja caseira
West Coast Rye IPA da Corina Cervejas (Brasília).

10) Há algum estilo de cerveja que careça de mais oferta de rótulos no Brasil? Qual?
Altbier e Hidromel.

10a) Em 2015, você consumiu mais cervejas…
Nacionais.

10b) Da mesma forma, em 2015 você tomou mais…
Cervejas em garrafa.

11) Melhor bar cervejeiro ou brewpub ou taproom nacional
Empório Alto dos Pinheiros.

11a) Melhor restaurante brasileiro com oferta de cervejas
Paladino.

11b) Qual o local brasileiro em que você tomou chope na melhor condição de qualidade?
Biermarkt Vom Fass.

12) Melhor mídia cervejeira (blog, site, podcast, videocast, canal de Youtube, programa de rádio, programa de TV etc)
Brejas.

12a) Melhor site de cervejaria nacional
Cervejaria Seasons.

12b) Melhor comunicação visual de cervejaria nacional
Bodebrown.

13) Melhor sommelier/sommelière de cerveja brasileiro(a)
Kathia Zanatta.

14) Melhor evento cervejeiro nacional
Festival Brasileiro da Cerveja.

15) Melhor fato cervejeiro do ano
Desenvolvimento da levedura brasileira por Gabriela Montandon, da Cervejaria Grimor (MG).

16) Pior fato cervejeiro do ano
De novo, o aumento dos impostos sobre as cervejas.

17) Previsão cervejeira para 2016
A crise econômica impactará o consumo e prejudicará o mercado para as cervejas em geral – especialmente as micro cervejarias. Diante da dificuldade do cenário, algumas micro cervejarias não suportarão a situação. A fusão da AB-Inbev com a SabMiller provocará a reação da Heineken e da Petrópolis, o que pode beneficiar o consumidor. É possível que aconteçam algumas fusões e aquisições, o que pode ser um início de consolidação do segmento.

18) O que você entende por escola cervejeira?
Uma “Escola Cervejeira” é um conceito definido como resultado da conjunção de fatores técnicos (estilos, receitas e processos) e culturais (história, rituais, tradições). A mais recente, chamada “Escola Cervejeira Americana”, que engloba os EUA e o Canadá, se consolidou a partir de releituras das Escolas europeias e, principalmente, algumas rupturas sobre o já estabelecido. Além de usar ingredientes locais, protagonizou o movimento homebrewing e acrescentou muita inovação tecnológica.

18a) Na sua opinião, o Brasil conseguirá ter uma escola cervejeira própria um dia?
Não. Apesar de a cena cervejeira brasileira ter evoluído muito nos últimos 10 anos, isso não é suficiente para que o Brasil seja reconhecido como uma “Escola”. Nosso caminho tem sido imitar a Escola Americana: usamos ingredientes locais, temos cervejas premiadas e incentivamos o homebrewing. Mas faltam-nos cultura cervejeira, história, estilos nativos e inovação de ruptura.

19) A situação econômica do Brasil fez com que você alterasse projetos e hábitos cervejeiros? De que forma?
Sim. Adiei projetos e reduzi o consumo de cerveja.

20) O que você acha de negociações (aquisição, fusão etc) entre grandes grupos cervejeiros e micro cervejarias?
É um movimento natural e saudável. Crescer e lucrar são objetivos de qualquer empresário. As recentes aquisições/vendas no Brasil não enfraquecem o segmento das micro cervejarias; pelo contrário, o fortalecem porque aumentam o valor intrínseco das empresas do setor. O cenário que se coloca a partir dessas vendas é mais desafiador, porém favorece o mercado para aquelas micro cervejarias que não foram adquiridas e estimula novos entrantes.

21) Você ou sua empresa tem/têm alguma relação profissional/comercial com alguma das marcas e empresas citadas nos votos? Em caso afirmativo, favor especificar quais:
Não.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Craft Beer - A Hopumentary

O filme "Craft Beer - A Hopumentary" mostra resumidamente a cultura das cervejas artesanais nos Estados Unidos e o seu desenvolvimento com o passar dos anos. O movimento, iniciado nos anos 80, tomou proporções gigantescas e agora já pode ser considerado global. Pessoas que participaram desse movimento, como Ron Lindenbusch (The Lagunitas Brewing Company), assim como homebrewers, donos de pubs e consumidores, falam sobre a as vantagens e experiências de se ter várias cervejas de ótima qualidade ao alcance. Veja o documentário (créditos para o usuário do youtube Jeremy Williams):

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Cerveja cara

Coluna Happy Hour publicada por Ronaldo Morado na Revista Roteiro em 15/12/2015

“Não deixem faltar cerveja boa e barata a meu povo e evitaremos revoluções.”
Rainha Vitória (Reino Unido 1819-1901)

Ultimamente temos falado e ouvido falar do “boom” das cervejas especiais no Brasil, mas o assunto tem vindo acompanhado da questão preço. E muitas pessoas tem me questionado a esse respeito e me solicitado para abordar o tema.

Em primeiro lugar, vamos analisar alguns fatores que influenciam o custo do produto. Das matérias primas envolvidas, apenas o lúpulo é importado. Mas o malte de cevada, mesmo o de produção nacional, acompanha a cotação internacional. Ou seja, a variação do cambio afeta o custo direto da cerveja.

Os outros custos industriais, assim como os custos indiretos, são rateados pelo volume total da cerveja produzida. Quer dizer, quanto maior o volume de produção, menor é o custo agregado a cada litro. Em outras palavras, se produzo pouco volume o custo que recai sobre cada litro é maior.

Só essa questão (de custos) já explica porque uma cerveja produzida por pequena cervejaria é mais cara que outra produzida por grande cervejaria. A segunda parte da explicação tem a ver com ingredientes. As receitas das chamadas cervejas “especiais” (em geral as que não são Pilsen) contém outros ingredientes, além de malte e lúpulo, como temperos, frutas, chocolate, etc... Aumentando o custo unitário ainda mais.

E, finalmente, temos a crueldade tributária brasileira.

Por um critério polêmico, a tributação sobre bebidas no Brasil parte do principio de que toda a cadeia produtiva, distributiva, comercializadora e consumidora de bebidas é sonegadora. Sendo assim o fabricante deve recolher os impostos de toda essa complexa rede de empresas. Ou seja, os impostos pagos pela cervejaria são calculados sobre o valor de venda da bebida no ultimo ponto da corrente: o consumidor. Desse raciocínio perverso, resulta que cerca de 70% do preço de venda da cerveja na porta da fábrica são impostos, recolhidos na fonte.

Dessa forma a cerveja “especial”, que é o nicho de mercado dos pequenos fabricantes, chega ao consumidor com um valor três vezes maior do que poderia chegar. E, aproveito para esclarecer: o parâmetro não é a qualidade, já que todos os fabricantes, pequenos ou grandes, cuidam da qualidade de seus produtos indiscutivelmente.

As diferenças são como presunto comum x Parma; uísque comum x uísque 12 anos; espumante comum x Veuve Clicquot; etc.

Como em ultima instância o que se apresenta ao consumidor é a experiência sensorial, ficam postas as questões fundamentais: o beneficio/custo compensa? O valor agregado em uma cerveja “especial” vale a pena o preço adicional? Estou disposto a pagá-lo? Espero ter ajudado na compreensão das diferenças “especiais”.

Saúde.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

The Beer Hunter - Episódio 6: O Melhor da Grã-Bretanha

Michael Jackson (1942-2007), também conhecido como beer hunter, foi um jornalista inglês que escreveu diversos livros sobre cerveja e uísque. É considerado como um dos mais influentes estudiosos nessas áreas, sendo o primeiro a usar os termos "fermentação alta" para cervejas do tipo ale e "fermentação baixa" para as cervejas do tipo lager. Na década de 80, ele gravou um programa para o canal Discovery chamado "The Beer Hunter", onde visitava lugares com muita tradição na produção de cervejas e mostrava todo o processo e as tradições locais para o consumo de cervejas.

Veja aqui o sexto e último episódio, intitulado "O Melhor da Grã-Bretanha", quando Jackson retorna ao seu país de origem para mostrar a tradição britânica de produção de cervejas tipo ale (créditos para o usuário do Youtube Paulo Dalla Santa):

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

The Beer Hunter - Episódio 5: Peregrinação à Califórnia

Michael Jackson (1942-2007), também conhecido como beer hunter, foi um jornalista inglês que escreveu diversos livros sobre cerveja e uísque. É considerado como um dos mais influentes estudiosos nessas áreas, sendo o primeiro a usar os termos "fermentação alta" para cervejas do tipo ale e "fermentação baixa" para as cervejas do tipo lager. Na década de 80, ele gravou um programa para o canal Discovery chamado "The Beer Hunter", onde visitava lugares com muita tradição na produção de cervejas e mostrava todo o processo e as tradições locais para o consumo de cervejas.

Veja aqui o quinto episódio, intitulado "Peregrinação à Califórnia" (créditos para o usuário do Youtube Paulo Dalla Santa):

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

The Beer Hunter - Episódio 4: A Cerveja Nossa de Cada Dia

Michael Jackson (1942-2007), também conhecido como beer hunter, foi um jornalista inglês que escreveu diversos livros sobre cerveja e uísque. É considerado como um dos mais influentes estudiosos nessas áreas, sendo o primeiro a usar os termos "fermentação alta" para cervejas do tipo ale e "fermentação baixa" para as cervejas do tipo lager. Na década de 80, ele gravou um programa para o canal Discovery chamado "The Beer Hunter", onde visitava lugares com muita tradição na produção de cervejas e mostrava todo o processo e as tradições locais para o consumo de cervejas.

Veja aqui o quarto episódio, intitulado "A Cerveja Nossa de Cada Dia", sobre as famosas cervejas feitas nos monastérios (créditos para o usuário do Youtube Paulo Dalla Santa):

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

The Beer Hunter - Episódio 3: Conexão Boêmia

Michael Jackson (1942-2007), também conhecido como beer hunter, foi um jornalista inglês que escreveu diversos livros sobre cerveja e uísque. É considerado como um dos mais influentes estudiosos nessas áreas, sendo o primeiro a usar os termos "fermentação alta" para cervejas do tipo ale e "fermentação baixa" para as cervejas do tipo lager. Na década de 80, ele gravou um programa para o canal Discovery chamado "The Beer Hunter", onde visitava lugares com muita tradição na produção de cervejas e mostrava todo o processo e as tradições locais para o consumo de cervejas.

Veja aqui o terceiro episódio, intitulado "Conexão Boêmia" (créditos para o usuário do Youtube Paulo Dalla Santa):

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

The Beer Hunter - Episódio 2: O Quinto Elemento

Michael Jackson (1942-2007), também conhecido como beer hunter, foi um jornalista inglês que escreveu diversos livros sobre cerveja e uísque. É considerado como um dos mais influentes estudiosos nessas áreas, sendo o primeiro a usar os termos "fermentação alta" para cervejas do tipo ale e "fermentação baixa" para as cervejas do tipo lager. Na década de 80, ele gravou um programa para o canal Discovery chamado "The Beer Hunter", onde visitava lugares com muita tradição na produção de cervejas e mostrava todo o processo e as tradições locais para o consumo de cervejas.

Veja aqui o segundo episódio, intitulado "O Quinto Elemento" (créditos para o usuário do Youtube Paulo Dalla Santa):

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

The Beer Hunter - Episódio 1: Os Borgonhas da Bélgica

Michael Jackson (1942-2007), também conhecido como beer hunter, foi um jornalista inglês que escreveu diversos livros sobre cerveja e uísque. É considerado como um dos mais influentes estudiosos nessas áreas, sendo o primeiro a usar os termos "fermentação alta" para cervejas do tipo ale e "fermentação baixa" para as cervejas do tipo lager. Na década de 80, ele gravou um programa para o canal Discovery chamado "The Beer Hunter", onde visitava lugares com muita tradição na produção de cervejas e mostrava todo o processo e as tradições locais para o consumo de cervejas.

Veja aqui o primeiro episódio, intitulado "Os Borgonhas da Bélgica" (créditos para o usuário do Youtube Paulo Dalla Santa):


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Cerveja especial?

Coluna Happy Hour publicada por Ronaldo Morado na Revista Roteiro em 15/11/2015


Inicio hoje minha participação nesta revista para falar do melhor dos assuntos: cerveja, essa bebida milenar essencialmente ligada à confraternização, celebração e alegria.

Nós, brasileiros que tanto nos orgulhamos de sermos um país tropical, não sabemos que, apesar de grandes fabricantes e consumidores (3º no mundo), somos bebedores modestos de cerveja (27º no mundo). Venezuelanos bebem mais cerveja per capita do que brasileiros. Essa situação é consequência do pouco conhecimento que temos sobre essa maravilhosa bebida.

Por exemplo: Poucos sabem que existem mais de 80 estilos de cerveja, dos quais a maioria é milenar. Exemplifico: Bock, Pale Ale, Stout, Porter etc. Desde os primórdios da história da bebida no Brasil – Século XIX – vivemos uma verdadeira ditadura de um único estilo de cerveja: a Pilsen. Muito embora seja, hoje em dia, o estilo mais popular no mundo, é muito jovem, pois surgiu apenas em 1842, numa pequena cidade da atual República Checa.

Essa ditadura centenária da Pilsen no Brasil provocou sequelas. O desconhecimento do brasileiro é tal que passou a classificar de “cerveja especial” todas aquelas cujo estilo não seja Pilsen. Para complicar ainda mais a cabeça das vítimas dessa ditadura, surgiram alguns conceitos que mais confundem do que ajudam: algumas cervejas são ditas “artesanais”, outras chamadas de “gourmet” e algumas até são classificadas de “premium”.

Estimuladas por essa oportunidade de diferenciação, muitas cervejarias utilizam essas palavras principalmente como estratégia de marketing, numa tentativa de se destacar no mar da mesmice no qual o mercado brasileiro se transformou.

Esclarecendo:

Artesanal – palavra aplicada à cervejaria e menos à cerveja, indicando que ela se orienta pelos conceitos americanos de “Craft Brewery”, ou seja, não pertence a um grande grupo econômico;

Gourmet – indica que aquela cerveja foi elaborada com intenções de harmonizações culinárias, própria para degustação, com qualidades sensoriais específicas;

Premium – qualificação dada pela própria cervejaria a um ou mais de seus produtos para diferenciá-los por melhor qualidade de ingredientes ou embalagem.

Nomenclaturas, classificações e glamourizações à parte, muito dessa “onda” é mérito do movimento das microcervejarias que está apresentando a cultura cervejeira ao brasileiro. Às vezes referido como “revolução cervejeira”, esse movimento tem muito de inovação e bastante de guerrilha.

Daí concluímos que o senso comum identificou que as chamadas “cervejas especiais” são, em geral, todas aquelas cervejas que não pertencem ao estilo Pilsen brasileiro (loira comum) e preferencialmente não sejam produzidas por uma grande cervejaria.

Mas ainda restam algumas questões. Essas cervejas “diferentes” são fortes ? Nem sempre. Entre as nomeadas “especiais” são ofertadas variações em sabor, aroma e teor alcoólico para todos os gostos. Afinal, quase uma centena de estilos, associados à enorme variedade de receitas, tornam infinitas as possibilidades.

Essas cervejas são caras? Nem sempre. Mas há de se ter em conta que a referência de preço não pode ser a cerveja popular produzida em alta escala e vendida no atacado. Há importantes considerações de custo de produção e de qualidade a serem feitas. É preciso ponderar essa questão baseado em uma situação similar como a da escolha entre um vinho de garrafão popular versus um Cabernet Sauvignon de média qualidade. É nesse cenário que a análise comparativa deve ser feita. Mas a conclusão é individual.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Em busca do melhor gole

Reportagem do Jornal O Tempo, por Lygia Calil em 08/05/15 - Link


Autor de “Larousse da Cerveja”, Ronaldo Morado prepara nova edição do guia que conquistou o Brasil


Figura conhecida no meio cervejeiro, o consultor Ronaldo Morado foi apontado como um dos maiores especialistas no assunto no país depois de publicar o livro “Larousse da Cerveja”, em 2009. Pode nem parecer tanto tempo assim, mas de lá para cá, na avaliação dele, muita coisa mudou.

Agora, ele promete voltar à cena com dois lançamentos: já está com a esperada segunda edição do “Larousse” finalizada e ainda quer publicar outro título (claro, sobre cerveja, mas em um formato diferente) até o fim do ano. Até agora, os números do “Larousse” impressionam no mirrado mercado literário brasileiro: já são seis reimpressões do guia, com tiragem de 25 mil exemplares em cada uma delas.

Como antes de enveredar pelo mundo cervejeiro, hoje Morado atua como consultor para empresas de alta tecnologia. Mas segue procurando, mundo afora, os melhores goles das melhores cervejas. O “Larousse” foi o resultado dessa paixão de décadas e a primeira obra nacional a caminhar pelo tema.

A abertura do nicho das cervejas especiais, para ele, está inserida em um cenário mais amplo, da sofisticação do padrão de consumo geral – uma mudança que começou há pelo menos 30 anos. “Em várias áreas da vida, seja na roupa, no carro, no design das coisas, até nos restaurantes e bebidas que escolhem, as pessoas têm procurado algo a mais. Não basta mais ser bom, tem que ter um apelo diferente”, diz Morado. Com as cervejas foi assim: “hoje, o consumidor não aceita apenas o que é oferecido, porque ele conhece mais, sabe mais”, completa.

Na avaliação de Morado, tudo aconteceu porque os jovens passaram a se interessar pelo consumo e produção de cervejas fora do estilo dominante no mercado, a pilsen. E Minas Gerais teve um papel importante nisso. “Belo Horizonte soube construir um pólo de micro-cervejarias como nenhuma outra região no Brasil. As fábricas estão próximas, o que concentrou o movimento e o tornou mais intenso”, comenta ele.

A ousadia dos fabricantes mineiros também foi decisiva nesse processo, intensificado a partir de 2005. “Enquanto Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo se voltaram à produção mais tradicional de cervejas, Minas buscou a inovação. Foi pioneiro e ditou tendência”, avalia o cervejólogo. Para ele, o mestre-cervejeiro da Falk Bier, Marco Falcone, atuou como líder e catalisador nesse processo de união das micro-cervejarias.

Embora não esconda uma ponta de orgulho ao falar sobre o mercado mineiro, Morado diz que ainda há muito a evoluir. “A cena está bem mais madura do que há dez anos, mas a produção de todas as micro somadas não chega a 0,5% do mercado. Existe uma disparidade muito grande com as gigantes do setor”, afirma.

Enquanto parte do mercado avaliou a compra da Wäls como um sinal de que (finalmente) uma indústria do porte da AmBev estaria cedendo à tendência das cervejas especiais, Morado tem uma opinião contrária.

“O que a AmBev comprou foi o mestre-cervejeiro da Wäls, José Felipe Pedras Carneiro, que é um talento. Um profissional desse porte, com dom e conhecimento, não se encontra à disposição no mercado e não se forma do dia para a noite. O mercado de cervejas especiais não ameaça em nível algum a AmBev, mas um verdadeiro talento jovem pode fazer muito bem à empresa. Isso é ouro puro para eles”, pontua.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Ranking das microcervejarias no mundo

por Ronaldo Morado


No Brasil, o conceito de craft brewery (cervejaria artesanal) ainda é pouco entendido e, por essa razão, se tornou controverso. Isso porque o termo “Craft Brewery”, criado nos Estados Unidos, nunca foi bem convertido para a nossa situação no Brasil. Seja por conta da tradução (“craft” não é exatamente “artesanato”), seja por conta da dificuldade de consenso sobre os parâmetros de classificação de uma cervejaria artesanal no caso brasileiro.

Entretanto, por aqui, proliferam as cervejarias que se autodenominam artesanais seja porque se consideram pequenas, ou apenas porque se acham diferentes por algum outro critério (puro malte, qualidade, regionalidade, tradição...).

Para o beneficio de todos, principalmente do segmento cervejeiro, seria importante chegarmos a um amplo entendimento sobre o critério a ser empregado nessa categorização e fazermos grande divulgação. Além de ajudar na defesa de reivindicações junto a qualquer órgão regulador ou arrecadador, evitaríamos a confusão que tem provocado na cabeça dos consumidores.

Segundo o Portal Statista, o Brasil é o 9º país com maior numero de “craft breweries” (conceito americano). Veja o quadro:

Ranking dos países com mais microcervejarias (conceito craft breweries)
País
Craft Breweries
Estados Unidos
4.000
Reino Unido
723
França
654
Itália
600
Rússia
561
Canada
483
Suíça
396
Alemanha
307
Brasil
217
Japão
200
Fonte: Statista - Alltech

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Introdução


Resolvi abrir esse canal para interagir com os amigos e, em especial, com os interessados na cerveja por um viés de negócio.

Escreverei, preferencialmente, sobre assuntos relacionados ao ambiente cervejeiro nacional e internacional, privilegiando os temas voltados ao mercado, estratégias, gestão, operação, cenários e tendências, mas, sem deixar de lado as informações históricas e curiosidades da cultura cervejeira.

Espero ajudar a disseminar boa informação, suscitar alguns debates e ajudar a desenvolver a cena cervejeira no Brasil. Conto com a participação de todos, me enviando comentários e boas criticas.


Abraços,

Ronaldo Morado